Aristides Meneses


Pinturas e Desenhos - Paintings and Drawings





Influenciado por três continentes - Influenced by three continents


1979-1983

2007

2014


Emoções contraditórias - Contraditory emotions


1984

2008

2015


Diogenes de Synope - Diogenes of Synope


1985-2002

2009

2016


Aristides Meneses and the inner reflection


2003

2010

2017


O Divino e o Homem - Divine and Man


2004

2011



Espelhos futuros - Future mirrors


2005

2012



Curriculum Vitae


2006

2013

Desenhos


Contacto ou aquisição - Contact or buying




Retratos alucinados









Disponíveis Pequenas (até 50 cm)






Disponíveis Muito Grandes
















Espelhos Futuros

Entrevista por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005


Porque chama espelhos futuros aos seus quadros?
Embora o meu trabalho venha de dentro, numa transformação interior consciente e subconsciente da minha percepção da realidade, o que os espectadores sentem ao ver os quadros é, pelo menos, tanto reflexo deles como meu. No princípio considerava-os a todos auto-retratos, e penso que de certa forma ainda o são. Mas descobri que são muito mais espelhos para os espectadores, pelos comentários e diálogos que tenho tido com diversos visitantes e conhecedores do meu trabalho.


As pessoas sentem a influência dos quadros?
Quando as pessoas se expõem aos meus quadros o seu estado emocional altera-se. Isso é reflexo do que lá está pintado, o que quer que seja, mas é ainda mais reflexo da sua estrutura emocional e do seu estado nessa altura. O que sentem no instante a seguir à exposição é resultado quer da minha pintura quer das suas emoções. É por isso que, ao longo do tempo, o mesmo espectador vê coisas diferentes de cada vez que olha para o mesmo quadro. Assim, pessoas diferentes reagem aos quadros de forma diversa e cada uma tende a vê-los diferentes em cada olhar. Na realidade, ao mesmo tempo que exponho os meus quadros as pessoas expõem-se a eles.

Quando começou a pintar os espelhos futuros?
Penso que desde o princípio. Na altura não me apercebi dessa influência mas mais recentemente acabei por descobrir que a minha pintura foi muito influenciada pelas teorias científicas do princípio do século passado, especialmente a Teoria da Relatividade de Einstein, o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a Equação de Schrödinger. Provavelmente porque foi pouco depois de tomar contacto com elas, quando estudava engenharia, que comecei o meu percurso actual. A influência não reside no objectivo de explicar a estrutura do universo nem na sua realidade em termos da disciplina da física, mas na adaptação dos seus conceitos, embora por mim não totalmente compreendidos, à estrutura mental das emoções humanas, ou das minhas emoções pelo menos. E, com isso, aos meus quadros, resultado delas. E depois aos outros, que a eles se expõem.


Qual a influência da teoria da relatividade?
Einstein mostrou que existe muito mais que a realidade aparente, geralmente desligado da experiência quotidiana, algo que o Homem sempre sentiu, sempre soube, e que geralmente designa por Divino. O que é fixo não é o que pensávamos, o que é variável também não. E se cada um tem o seu tempo, também tem a sua realidade e as suas emoções. O Homem já sabia, mas com Einstein esse conhecimento, ou sentimento, tem uma realidade mais concreta, demonstrável em termos matemáticos.


E porquê o princípio da incerteza?
A física quântica e, especialmente, o princípio da incerteza de Heisenberg, indiciam, obrigam mesmo, a que deva sempre existir algum grau de liberdade mesmo nos sistemas mais estruturados. E que, da mesma forma, os estados emocionais são regidos por probabilidades, ou seja, por incertezas, flutuantes, voláteis, conflituantes, à espera de se tornarem concretos. Deve ser por isso que quase todos os meus trabalhos demonstram, ao longo do processo da sua criação, uma aparente vontade própria, vontade a que eu nunca resisto. Essa incerteza faz parte integrante do meu trabalho pois a curvatura do espaço tempo criativo faz-me existir em aparente percurso rectilíneo.


Portanto o seu trabalho, figurativo e concreto, tem muito de casual.
Talvez se possa dizer assim. O terceiro pilar dos espelhos futuros é a equação de Schrödinger, ou o facto de ninguém saber onde está o seu gato. Schrödinger dizia que estava em toda a parte, pelo menos até o vermos e determinarmos a sua localização exacta. E assim é impossível sabermos o nosso estado emocional antes de tentarmos determiná-lo. A mente humana vive, na maior parte do tempo, uma totalidade de emoções permanentes, simultâneas e desencontradas. Como o gato de Schrödinger a mente existe em todos os estados emocionais até nos apercebermos da posição dominante numa dada altura. Logo após a exposição aos meus trabalhos, o espectador descobre o que sente.


Assim os seus quadros destinam-se a ser sentidos em vez de compreendidos?
Os meus trabalhos existem para serem sentidos, muito mais que para serem compreendidos. Para facilitar esse efeito é preciso abstrair e controlar a tendência humana de tentar compreender porque, infelizmente, essa tentativa interfere com a capacidade de nos emocionarmos. As pessoas sentem diferentes emoções, em diferentes olhares. Parte do meu trabalho é muito subconsciente. Outra parte tem origem em coisas mais identificáveis. Mas isso não é a explicação do quadro, é apenas uma das suas origens.


Os quadros parecem contar histórias e as pessoas tentam compreendê-los. Não significam nada?
Respondo-lhe como Dali. Todos os meus trabalhos têm significado mesmo que nem eu saiba qual é durante algum tempo.


Future Mirrors

Interview by Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005


Why do you think about your paintings as future mirrors?
Although my works are originated inside, as an internal conscious and subconscious transformation of my perceptions of reality, what the spectator feels looking at them is, at least, as much their reflection as mine. Until some time ago I thought about the paintings as self-portraits, which in a sense, I still do. But I found that they also are like mirrors for the spectators. This became evident by comments and conversations with visitors and people acquainted with my work.


In a sense people feel the influence of your paintings?
When someone exposes itself to my work there is a change in its emotional state. That’s a reflection of what has been painted, whatever it is, but much more, it is a reflection of its state of mind and emotional structure at that time. What people feel soon after being exposed to my work is a result of my painting as much as of their emotions. That is why each one sees different things, and why a spectator sees different things each time he looks. While I am exhibiting my work, people expose themselves to it.



When did you begin to paint your future mirrors?
I think I have been doing it since the beginning. At that time I did not realize it but, more recently, I discovered that has my work has been very influenced by a few scientific theories of the beginning of last century, especially Einstein´s Relativity Theory, Heisenberg´s Uncertainty Principle and Schrödinger´s Equation. That happened probably because I started to paint just a few months after becoming acquainted with them, while studying electronics and telecommunication engineering. The influence does not derive from their physical meaning, or of their goal to explain the universe, but of their adaptation to human emotions and mind structure or at least to my own emotions. Due to that they influence my work, which is their result. And so they affect everybody who come and see the paintings.


What is the influence of the Relativity Theory?
Einstein showed that there is much more beyond the apparent reality. This is something that Man knows from the beginning of time and usually classifies as The Divine. Einstein found that what is fixed is not what we thought and what is variable is also different of what we thought. If each one has its own time, it also has its own reality and emotions. Man already knew that but, since Einstein, this knowledge became more real, even mathematically proved.

And why the Uncertainty Principle?
Quantum Physics, especially Heisenberg´s Uncertainty Principle, implies that there must always be some freedom, even in the most structured systems. In the same way, emotional states are ruled by probabilities, and by uncertainties. That´s why they are volatile, always floating and conflicting. Probably due to that, my work shows during the process of creation, a kind of self will. I never resist to the force from the painting itself. This uncertainty is an integral part of my work because the curvature of the creative space time makes me exist in an apparent straight line.

So, your work, figurative and concrete, has a lot of unexpected?
Maybe that is the way to put it. The third pillar of future mirrors is Schrödinger´s Equation, or the fact that nobody knows where his cat is. Schrödinger would say it is everywhere, at least until we see it and become aware of its position. It is also impossible to know our emotional state until we attempt to determine it. This process changes the emotion we are trying to determine. The human mind exists in a state of global emotions, permanent, simultaneous and conflicting. Like Schrödinger´s cat, the mind exists simultaneously in every emotion until we find out which one is dominant. Soon after being exposed to my work each spectator finds out its emotional state.


So your work is meant to be felt instead to be understood?
Yes, my work with future mirrors is meant to be felt rather than to be understood. To allow this the spectator needs to abstract himself from rational analysis, a human tendency, because it generally prevents feelings. With each glance, people will feel different emotions in the near future. A part of my work is very subconscious. The other part has its origins in more real things. But those do not give the explanation for the painting. They are just one of their origins.


Your paintings seem to tell stories and people try to understand them. Don’t they mean anything?
I will answer you like Dali. All my work has a meaning even if it takes me a while to know what it is.









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