Aristides Meneses


Pinturas e Desenhos - Paintings and Drawings





Influenciado por três continentes - Influenced by three continents


1979-1983

2007

2014


Emoções contraditórias - Contraditory emotions


1984

2008

2015


Diogenes de Synope - Diogenes of Synope


1985-2002

2009

2016


Aristides Meneses and the inner reflection


2003

2010

2017


O Divino e o Homem - Divine and Man


2004

2011



Espelhos futuros - Future mirrors


2005

2012



Curriculum Vitae


2006

2013

Desenhos


Contacto ou aquisição - Contact or buying




Retratos alucinados









Disponíveis Pequenas (até 50 cm)






Disponíveis Muito Grandes
















Influenciado por três continentes

Por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005


Nascido em 1958 em Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique, na costa oriental de África, Aristides Meneses faz parte de uma família que nos últimos cem anos habitou em três continentes. Os seus avós, de origem goesa, partiram da Índia para aquele país, então uma colónia portuguesa, e aí se fixaram. Foi já nessa região que nasceram os seus pais, em Lourenço Marques, o pai e em Inhanbane, a mãe. Aí permaneceram até se mudarem para Portugal, onde residem. Devido a essa confluência, Aristides Meneses foi influenciado por três culturas, desde a asiática, por via dos ascendentes, à europeia, pela língua, história e ambiente político, passando pela africana, pelo nascimento e vivência até aos dezasseis anos. De forma discreta e suave toda a sua arte reflecte essa multiplicidade de influências culturais e, apesar da forte predominância europeia, podem encontrar-se referências mais ou menos explícitas às outras duas culturas em diversos dos seus trabalhos.

Foi em Moçambique que começou a pintar, muito embora na altura o fizesse como qualquer outra criança que gostava de desenhar e colorir imagens no papel, fossem reais ou inventadas. Fossem a lápis de cor ou aguarelas. Mas, ao invés de outras crianças, a pintura despertava-lhe forte interesse e constituía uma actividade com importância crescente. Aqueles anos em que residiu em África marcaram, sem dúvida, a forma de olhar o mundo e de estar na vida.

Os grandes espaços, o imenso tempo que permitia quase tudo fazer, a praia até já não haver luz, os passeios de quilómetros por estradas ladeadas de árvores, as conversas e as festas nas ruas, são apenas alguns exemplos do que ficou na memória e que, inegavelmente, os seus quadros reflectem, mesmo que resultem em parte da manifestação do subconsciente. A abertura da mente associa-se a uma atitude também ela aberta, sem medo de se deixar mostrar, a ponto de surpreender alguns dos observadores mais críticos, por se permitir expôr nas telas de forma por vezes tão intensa como em “Auto-retrato com cem anos” (1983), provavelmente um dos mais interessantes quadros do pintor. Literalmente pintado em frente a um espelho, para reflectir as dimensões e a estrutura real, resultou de um exercício tanto de inversão de imagens como de introspecção, que trouxeram para a tela um retrato forte e tocante. E, como muitas outras das suas obras, parece chamar o observador para dentro do próprio tecido, como se fosse ele próprio a estar ali retratado, despojado e isolado, mas com uma enorme força interior. Por isso, ao invés de ser um quadro assustador, porque de facto cria ansiedade imaginar a própria vida ao fim de um século, é tranquilizante. Afinal é apenas uma fase, marcada pelo conhecimento de si mesmo!

Da pintura realizada em África, de orientação realista e paisagista, apenas sobreviveu um pequeno trabalho, “Oásis”, executado em pastel sobre papel por volta de 1971. As caravelas dos Descobrimentos Portugueses, o mar e as paisagens africanas foram alguns dos temas explorados, durante a infância e juventude, com que participou em alguns concursos de pintura e desenho. Durante os últimos anos de permanência na então cidade de Lourenço Marques dedicou-se especialmente à técnica de tinta da china pintada e soprada sobre papel. Também dessa época nada sobreviveu devido à mudança de continente, em condições adversas para a família.

Em 1975 Aristides Meneses veio viver para Lisboa na sequência das alterações políticas ocorridas quer em Portugal quer em Moçambique. Até perto do final da década de oitenta continuou os seus trabalhos a tinta da china, alguns dos quais, embora desaparecidos ou destruidos, encontram-se reproduzidos no jornal de estudantes da universidade, em que colaborou.

Em 1977 ingressou na Universidade de Aveiro. E foi quando aí frequentava a licenciatura em Engenharia de Electrónica e Telecomunicações que a pintura assumiu um espaço mais sério e prioritário. Nessa época concretizou a sua primeira experiência com a técnica de óleo sobre tela, com “Criança sem culpa admirando o túmulo do mundo morto”, datado de 1979. Este quadro mostra já algumas das principais características de toda a sua obra posterior: ambiguidade, angústia, divino, conhecimento, emoções desencontradas e simultâneas, o mundo entre a vida e a morte. Aristides Meneses traz para a tela as suas preocupações e inquietações interiores, mas fá-lo de uma forma aberta, pois ao observador é constantemente deixado espaço para incluir, no quadro, as suas próprias inquietações e registar as suas análises, construindo uma história individualizada, a partir de imagens que, sendo quase imutáveis, ganham nova vida e diferente forma a cada olhar.

Foi também em 1979 que criou, com outros estudantes, o grupo Arte Universidade e, com ele, participou na sua primeira exposição. Essa mostra originou de imediato uma grande diversidade de interpretações e emoções nos espectadores, efeitos que ainda hoje são habituais, provavelmente devido à aparente simplicidade da maior parte dos seus trabalhos que, no entanto, se revelam mais complexos e emotivos à medida que o observador os aprofunda. Mais de vinte anos depois, Aristides Meneses explicou, quando da abertura da sua exposição “Espelhos Futuros” em 2005, em Lisboa, a influência da estrutura emocional e do estado de espírito do observador na apreciação dos seus quadros, afirmando que ao mesmo tempo que expõe os seus trabalhos, os visitantes se expõem a eles, numa interacção gerada pelas emoções.

Apaixonado pela matemática e pela física, disciplinas em que se tornou um dos melhores alunos do seu curso, aplicou à pintura, em parte subconscientemente, alguns dos conceitos mais perturbadores da física de então, citando especialmente a Teoria da Relatividade de Einstein, o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a Equação de Schrödinger, não tanto pela explicitação dos conceitos físicos associados mas sim pelas suas consequências ao nível da mente e das emoções humanas, como está patente no quadro “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado”, executado em 1984. O quadro, baseado num edifício de uma gravura de M. C. Escher, convida o observador a olhar de todos os ângulos, sem que transporte em si qualquer obrigatoriedade de análise preferencial ou lógica. E, como em muitos outros casos, as sensações que desperta são tão diversas quantos os olhares dos espectadores que o vêm e quantos os momentos em que é olhado. Porque se os seus quadros, enquanto objectos, são estáticos, enquanto expressão artística estão longe de o ser. São, pelo contrário, tão dinâmicos quanto os olhares, os pontos de análise, a luminosidade ou a emotividade do próprio espectador o permitam. O cenário está lá, parte de uma ideia do pintor, mas rapidamente é o observador que toma posse da história e a transforma à sua medida.

Tendo iniciado na Universidade uma aproximação mais profunda à pintura, a partir dessa altura começou também um percurso de aprendizagem técnica, que o levou a frequentar um atelier experimental na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, nos anos de 1984 e 1985. Mesmo que afirme que em momento algum tenha pensado numa tela como um objecto em branco, porque quando inicia a primeira pincelada tem sempre a imagem já pintada na sua mente, o desenvolvimento da capacidade técnica permite melhorar a aproximação da imagem mental ao resultado final. Aristides Meneses defende que o acaso tem um enorme papel no seu trabalho, citando o Princípio da Incerteza de Heisenberg como a sua explicação. Especifica que são os efeitos quânticos na imagem produzida pelo subconsciente, resultado ela própria da transformação da totalidade das influências a que está sujeito, no sentido cósmico de interligação permanente do Homem com todo o Universo, que fazem com que o quadro ganhe uma vida ou vontade própria, à medida que vai sendo criado. Assim, ao mesmo tempo que a imagem inicial se vai esbatendo e dissolvendo, desintegrando-se em anti-fotões, os personagens executados sugerem olhares e sorrisos, os lugares apontam cores, os ambientes indicam a ordem do espaço, levando o quadro para caminhos imprevistos. E o pintor, que se mantém livre, deixa-se levar geralmente pela sua própria obra, integrando-se nela, mesmo que fisicamente tudo indique que permanece a olhá-la de frente, com uma imensa capacidade decisória sobre tudo o que acontece naquele espaço montado no cavalete.

Naturalmente fascinado pela pintura, visita inúmeros museus e exposições, em Portugal e no estrangeiro, alimentando essa necessidade de evolução e aprendizagem permanente que caracterizam em si, mais do que a resposta ao desafio de pintar, um modo de vida. Uma das causas prováveis do seu interesse pela técnica de óleo sobre tela foi a viagem pelo Sul da Europa em 1978, especialmente por Itália, onde descobriu directamente os pintores, arquitectos e escultores renascentistas e também alguma arte da antiguidade. Aristides Meneses afirma ser influenciado pelo cosmos e por todos os outros artistas.

Devido à temática explicitamente figurativa e aparentemente realista, embora onírica, dos seus quadros, o pintor é frequentemente confrontado com a necessidade de compreensão racional por parte dos espectadores. Mas, para Aristides Meneses, mais do que para serem vistos, os seus quadros devem ser sentidos, porque todo o seu trabalho se situa no mundo das emoções humanas, complexas, contraditórias, simultâneas e, geralmente, mais fortes que os próprios indivíduos.

Sublinhando que o seu trabalho resulta de imagens de origem subconsciente, num processo de transformação e destilação de tudo com que se relaciona, confessa que se revelam ao consciente de forma inesperada e volátil. Na maior parte das vezes desconhece a origem das suas imagens. Outras sabe, na perfeição, o que as levou a materializar-se, como aconteceu com uma folha de figueira, transportada pela brisa, numa manhã de final de Verão, para o chão da varanda, onde o sol a secava mudando-lhe rapidamente a forma e a cor. E assim surgiu a obra “Mutação de um dinossauro ao sol da manhã”, executada em 2003. Antes mesmo de o quadro ter sido terminado, poucas horas depois, a folha estava praticamente extinta, mas o dinossauro sobreviveu!

Por vezes é a natureza a fonte da materialização das suas imagens, como se verifica pelos vários trabalhos realizados a partir da observação de praias, desertos, árvores ou rochas espalhadas na areia, a quem é dada uma outra vida nos quadros, ao serem transformados em personagens, que voltam a conquistar novas vidas a partir dos observadores. A ilustrá-lo está, por exemplo, um quadro executado também no final do Verão de 2003, cujo título é da autoria do filho do pintor, na altura com seis anos, que ao vê-lo declarou: “O pai e a mãe zangados na praia”. A criança não viu objectos inanimados, viu pessoas conhecidas. E é esse efeito emocional multiplicativo e diversificado que melhor tem caracterizado a obra pintada de Aristides Meneses.


Influenced by three continents

By Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005


Born in 1958 in Lourenço Marques, nowadays called Maputo, in Mozambique, located in the east coast of Africa, Aristides Meneses descended from a family that in the last hundred years has lived in three continents. His grandparents, who where from Goa, in Asia, left India to that country, which at that time was a Portuguese colony, and settled there. Both his parents where born in Africa, in Lourenço Marques, the father and in Inhanbane, the mother. They lived there until they had to move to Portugal where they now live. Due to that confluence, Aristides Meneses has been influenced by three cultures, from the Asian, due to his ascendants, to the European, through language, history and political environment, including the African, because he lived there until he was sixteen. In a discreet and subtle way, all his work reflects that multiplicity of influences and, although the European culture is dominant, one can find more or less explicit references to the others in a large number of his works.

He started to paint in Mozambique, doing so as any child who liked to draw and paint images on paper, real or imaginary, working with colour pencils, watercolors, pastel and other techniques. But unlike other children, painting interested him dearly, and started to grow in importance. Without doubt those years in Africa had an enormous influence on him.

The large open spaces, the time that seemed to allow almost anything, the beach until darkness, long roads lined with trees, the conversations and parties in the open space are just a few examples of fond memories reflected in his paintings, even if they are the end result of a subconscious process. The openness of the mind appears associated to an open attitude, fearless of showing to a point that surprises some of the most critical minds, because the painter allows to expose himself on canvas in a very intense way, as in “Self portrait at one hundred years” (1983), arguably one of his most interesting paintings. Literally painted in front of a mirror, it was the result both of an image inversion exercise and of an introspective analysis, which brought to the canvas a strong and moving portrait. And, as in many of his works, it seems to draw the observer to the inside, as if it was their own portrait, dispossessed and alone, but with much inner strength. And so, instead of being a frightening painting, because it must be frightening to imagine oneself with a hundred years old, it is in fact soothing. At the end it is no more that a phase characterized by one knowledge.

Of the work completed in Africa, with an orientation to the realistic and naturalistic, only one small painting survived, “Oasis”, executed with pastel on paper by 1971. The caravels of the Portuguese Discoveries, the sea and the African landscapes, all were themes of his work during his youth, with which he entered some painting exhibitions. During the last years he lived in Mozambique he started to use indian ink painted and blown on paper. Those works are all lost now, due to the migration to another continent, in adverse conditions for the family.

In 1975 Aristides Meneses came to live in Lisbon, because of the new political situation both in Portugal and Mozambique. Until the end of the 80s, he kept working with indian ink. Some of these works, although lost, have been reproduced in a student newspaper to which he was a regular contributor.

In 1977 he went to the University of Aveiro. It was there that, as a student of Electronics and Telecommunications Engineering, painting assumed a much more important role in his life. At that time he started to make some experiences with oil on canvas, with “Blameless child looking at the tomb of the dead world”, dated 1979. This painting already shows some of the main characteristics of all his following work: ambiguity, angst, divine, knowledge, the flow of contradictory and simultaneous emotions, the world between life and death.

Aristides Meneses brings to the canvas his inner toughts and inquietudes, but he does that in an open way, always leaving some space for the observers to be reflected in the paintings with their own emotions, preoccupations and analysis, building personalized stories from images that, being almost immutable, start a new life and get a different form each time one looks at them.

It was also in 1979 that, along with other fellow students, he created the Arte Universidade group, and with it he started exhibiting his work. His paintings created an immediate diversity of emotions and interpretations, effects that remain up to today with each new work, probably due to the apparent simplicity of most of them which, however, reveal a strong complexity and emotional impact at each new glance. More than twenty years later, during his individual exhibition “Future Mirrors” in 2005, in Lisbon, he explained the influence the emotional structure and mind state of the observer have in the appreciation of his paintings, saying that each time he exposes a painting, the observer himself is exposed to it, in an interaction generated by emotions.

Very fond of mathematics and physics, subjects in which he became one of the best students of his class, he applied, in part subconsciously, some of the more chatering concepts of physics discoveries at that time, especially focusing on Einstein´s Relativity Theory, Heisenberg´s Uncertainty Principle and Schrödinger´s Equation, not so much by its physics explanations properties but by the associations he did with the human mind and emotions, as shown in his work “Personality multiplication provoked by the appearance of a red fish”, painted in 1984. The painting, based on a building in an engraving by M. C. Escher, invites the observer to look from every point of view without forcing any predefined logic or analysis. And, as in many other cases, the sensations it unveils are so diverse as diverse are the observers or the times they choose to look. Because if the paintings, as objects, are static, as artistic expressions they are not. On the contrary, they are as dynamic as the emotions each observer experiences. The image is there, but very quickly each observer conquers domain over the story and transforms it as he wants.

Having iniciated a more profound relationship with painting at the university, he started a path of technical learning which led him to experimental painting lessons at Sociedade Nacional de Belas Artes in Lisbon, during 1984 and 1985. Although he says he never looked at a blank canvas, because he starts working on a painting with brushes and paint only when he already has the full image in his mind, the development of his technical skill was very important to the continuous improvement of his work. Aristides Meneses insists that chance has an enormous role in his work, citing Heisenberg´s Uncertainty Principle as the explanation for it. He says that the quantum effects that influence the image produced in the subconscious, result itself of the transformation of the total sum of influences the artist has felt, in the cosmic sense that links man to the universe and everything else, are what enables the same image to gain a life and a will of its own while being created. In this sense, at the moment the original mental image starts disintegrating in anti-photons, the personages of the paintings are able to suggest looks and smiles, places suggest colours and environment determine the order, carrying the work through unforeseen paths. And the painter, keeping his freedom, allows himself to be carried away by his work, even if it seems he keeps control of it all the time, really choosing what happens on the canvas.

Fascinated by paintings, he visits innumerous museums and art galleries in Portugal and abroad, feeding the necessity of evolution and knowledge, which characterize him and are a way of life more than an answer to the challenges of painting. One probable cause of his renewed interest in oil painting techniques was his trip through the south of Europe in 1978, especially Italy, where he was face to face with sculptures, paintings and buildings of the renascence and some antique art. He says the cosmos influence his works as well as every other artist.

Due to his figurative and apparently realistic themes, although dreamlike motives and images, the painter is often confronted by his observers with the need to understand and to find a logic explanation. But, to Aristides Meneses it is more important for his work to be felt than seen, because all of it revolves around human emotions, complex, simultaneous and usually stronger than man himself.

Stressing that his work is a result of subconscious images, in a transformation and distillation process of everything with which he interacts, the painter admits that they reveal themselves to the conscious in an unexpected and volatile way. For the most part, he does not know the source of his images. But sometimes the source is well identified, like the leaf of a fig tree, transported by a gentle breeze in the morning to the floor of his porch, at the end of the summer 2003, while the heat from the sun dried and changed it. And that was the origin of “Dinosaur mutation in the morning sun”. Even before the painting was finished, a few hours later, the leaf was almost extinct, but the dinosaur survived, he says.

Often nature is the driving inspiration force behind the materialization of his images, as can be attested by his numerous works with beaches, trees, rocks or deserts, which he transforms into personages for his paintings, and which gain new lives from each glance by the observers. One characteristic example is a painting made the same summer, in 2003, whose title came from his six years old son, who exclaimed: “It is father and mother angry at the beach”. The child did not see inanimate objects, he saw living beings. And it is that emotional effect, multiplicative and diversified, that best characterize the painted work of Aristides Meneses.









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