Aristides Meneses


Pinturas e Desenhos - Paintings and Drawings





Influenciado por três continentes - Influenced by three continents


1979-1983

2007

2014


Emoções contraditórias - Contraditory emotions


1984

2008

2015


Diogenes de Synope - Diogenes of Synope


1985-2002

2009

2016


Aristides Meneses and the inner reflection


2003

2010

2017


O Divino e o Homem - Divine and Man


2004

2011



Espelhos futuros - Future mirrors


2005

2012



Curriculum Vitae


2006

2013

Desenhos


Contacto ou aquisição - Contact or buying




Retratos alucinados









Disponíveis Pequenas (até 50 cm)






Disponíveis Muito Grandes
















Diogenes e todos os outros

Por Elisabete Lucas
in A Pintura de Aristides Meneses, 2005


Diogenes de Sinope foi um filósofo que os historiadores supõem ter nascido cerca de 400 anos antes de Cristo. Existindo muito poucos registos históricos sobre a sua vida, a sua história é composta de episódios avulso que contribuem para a imagem de excêntrico e marginal, de quem vivia à parte por escolha própria. Considerado a maior voz da escola cínica, com uma visão da vida que se opunha às convenções e regras sociais que considerava hipócritas e rejeitando os bens materiais que considerava não só desnecessários como mesmo perniciosos, diz-se que habitou num barril, durante o período que permaneceu em Atenas. Uma das suas actividades parece ter sido andar pela rua com uma lanterna acesa, em pleno dia, sempre à procura de um homem honesto. Morreu sem o encontrar. Considerado iludido, sábio, louco ou sátiro, é assim que surge frequentemente na pintura de Aristides Meneses.

Embora afirme que a sua pintura resulta de imagens do subconsciente, Aristides Meneses criou um mundo imaginário habitado por personagens, alguns dos quais permanentes, sugerindo uma linha condutora. Trata-se assim de um mundo real-imaginário, a que o pintor chamou Arisia, logo em 1979, quando da sua primeira exposição. O facto é que os personagens colaboram com o espectador na elaboração do enredo e são veículo da cumplicidade emocional gerada ou alterada pelos quadros. E interagem uns com os outros num mundo realmente habitado por todos.

Diogenes surge com muita frequência em 1984. Por exemplo, “Diogenes no deserto com os seus fantasmas” é um trabalho em que o filósofo aparece como figura focal, sem a sua mítica lanterna mas sim com um cajado, curvado sob o peso das suas emoções, rodeado por três gigantes, irreais, provavelmente os fantasmas a que se refere o título.

Mais uma vez aparece solitário em “Diogenes no deserto”, ou em desespero como em “Diogenes à chuva” e “Diogenes quase a desistir”. Reaparece em 2003 no quadro “A nau” agora com a sua lanterna acesa em pleno dia. Este trabalho, que prende o olhar, mostra três personagens aparentemente auto-iludidos sobre a realidade. Além de Diogenes, de luz acesa durante o dia, a imagem inclui o barqueiro que rema em terra e a jovem que passeia num barco parado. Em 2004 Diogenes surge em “Luta interior”, um quadro que regista o conflito de duas emoções simultâneas, tema querido ao pintor, em luta pelo domínio da mente humana. Surge também, agora como observador e em posição marginal, em “Ajuda-me pai” (2004).

Diogenes foi inspirado numa figura real mas outros personagens parecem ser mais imaginários. Os cabeças de ovo, personagens claramente antropomórficos com a cabeça em forma de casca de ovo, geralmente quebrada e vazia, sempre com um machado ou lança na mão, surgiram pela primeira vez em 1980 em “Primeira aparição do cabeça de ovo ainda disfarçado”. E estão presentes em “Invenção da vida” (1983), “Diogenes no deserto com os seus fantasmas” (1984) ou “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado” (1984). Curiosamente os cabeça de ovo de Aristides Meneses nunca estão a fazer nada, parecendo apenas testemunhas passivas de todas as cenas.

A folha em decomposição, que surge por exemplo em “Um anjo acaba de morrer” (1981), “Multiplicação da personalidade provocada pelo aparecimento de um peixe encarnado” (1984) e se torna monumental em “Gabriel logo após a mensagem” (2004), é uma folha real que o pintor encontrou, assim como a pinta, e que conservou por muitos anos. Outras figuras que decorrem do real são os personagens esguios que aparecem no primeiro quadro, “Criança sem culpa admirando o túmulo do mundo morto” (1979), que constituem uma reprodução de três esculturas em madeira executadas por si e inspiradas nas esculturas etruscas que vira nas suas viagens do ano anterior. Também as rochas, geralmente elementos da paisagem, se tornam dotadas de emoções como em “Rocha perfeitamente normal com um profundo desgosto” (1984) ou “Rocha a ganhar vida na praia encantada” (1983). Esta última é uma rocha real da praia de Porto Covo, onde o pintor tem ido inúmeras vezes ao longo dos anos.

De realçar ainda os personagens que parecem ter levado mais de vinte anos a ganhar identidade própria, impossíveis de definir mas claramente antropomórficos. Trata-se de seres geralmente monocromáticos, altamente texturados em penas ou pelagem, quase sempre sem face e raramente com olhos. Surgem como personagens secundários em “Primeira aparição do cabeça de ovo ainda disfarçado” (1980) mas em 2003, com “A família original”, assumem o controlo do espaço e das imagens. Podem ser vistos particularmente expressivos em “E depois foi-se embora” (2003), “A morte Prematura” (2004) ou “Casal improvável” (2005).

Muito recentes são as famílias de pedras planas, cristalinas, que começam por aparecer em “O pai e a mãe zangados na praia” (2003) e depois se multiplicam em “Levitação original” (2004) ou “Aprendendo a levitar” (2005).

E, embora um dos primeiros anjos de Aristides Meneses tenha morrido em 1981 em “Um anjo acaba de morrer”, os anjos da guarda surgem novamente como mensageiros ou protectores em diversas obras recentes. Aristides Meneses explica que os anjos se materializam numa explosão de fotões e se desintegram numa explosão de anti fotões, mas que continuam a existir para todos os outros personagens da sua obra.


Diogenes and all the others

By Elisabete Lucas
in The Paintings of Aristides Meneses, 2005


Diogenes of Sinope was a philosopher who historians believe was born 400 years before Christ. With very few written records about him or his life, his history is composed of scattered episodes, which contributes to his image of an eccentric and outsider, living apart from society by his own choice. Seen as the main voice of the cynic school, with a style of life that showed a dislike for social life and rules, considered hypocrites, and rejecting material possessions as unnecessary and even pernicious, it is said he lived in a barrel while in Athens. One of his preferred activities was to walk along the streets with his lamp alight, during daylight, looking for an honest man. He died without finding one. Seen as delusional, sage, insane or satiric, that is the way he often appears in Aristides Meneses painted works.

Although he says his work is a result of images from the subconscious, Aristides Meneses created an imaginary world inhabited with personages, some as permanent residents, suggesting a continuity. It´s a kind of real-imaginary world, called Arisia by the painter, since 1979, when he first exhibited his work. The fact is the personages collaborate with the observer in the plot elaboration and are vehicle of emotional complicity generated or altered by the paintings. And they interact with each other in a world really inhabited by all of them.

Diogenes appears very often in 1984, for instance in “Diogenes in the desert with his ghosts”, a painting in which the philosopher is the main point of interest, without his mystical lamp, but with a stick, curved under the weight of his own emotions, surrounded by three unreal giants, probably the ghosts the title refers to. He appears again alone in “Diogenes in the desert” or in despair as in “Diogenes in the rain” and “Diogenes almost quitting”. He reappears in 2003 in the painting “The vessel” now with his lamp alight in broad daylight. This work, which attracts the attention, shows three personages seemingly delusional about reality. Apart from Diogenes, with the lamp alight during daylight, the image includes the boatman paddling in dry land and the young lady who travels in a non moving boat. In 2004 Diogenes appears in “Inner struggle”, a painting that registers the conflict between two simultaneous emotions, a subject very important to the painter, fighting for control of the human mind. He also appears, now as a marginal observer, in “Help me father” (2004).

Diogenes was inspired in a real person but other personages seem to be mainly created by his imagination. The Egg-head, clearly an anthropomorphic personage, with the head shaped as an empty cracked egg shell, always with an ax in his hands, appears for the first time in 1980, in “First apparition of the egg head still under disguise”. And they are present in “The invention of life” (1983) “Diogenes in the desert with his ghosts” (1984) or “Multiplication of personality provoked by the appearance of a red fish” (1984). Aristides Meneses egg heads are deprived of action, seeming just to be passive witnesses of all scenes.

The decomposing leaf which appeared, for instance, in “An angel just died” (1981), “Multiplication of personality provoked by the appearance of a red fish” (1984) and became monumental in “Gabriel soon after the message” (2004) was a real leaf that the artist found, has reproduced, and kept for many years. Other figures that come from the real world are the slender personages that appear since the first painting in 1979, as result of three wood sculptures the artist made himself, inspired in Etruscan sculptures he saw during his trips the previous year. On the other hand the rocks, usually elements of the scenery, sometimes appear as leading personages provided with emotions as in “Absolutely average rock with a deep sorrow” (1984) or in “Rock becoming alive on the enchanted beach” (1983), this one a real rock from the Porto Covo beach, often visited by the painter for many years.

One must sterss also the personages that seem to have taken more than twenty years to develop, impossible to define but clearly anthropomorphic. They are beings usually monochromatic, highly textured in plumes or pelage, almost always faceless and very seldom with eyes. They appear as secondary personages in “First apparition of the egg head still under disguise”(1980) but it is in 2003, in “The original family”, that they assume control of the whole space and get the leading role. They can be seen in “And then he went away” (2003), “Premature death” (2004) or “Improbable couple” (2005).

More recent are the families of straight stones, crystalline, which appear in “Father and mother angry on the beach” (2003) and then multiply in “Original levitation” (2004) or “Learning how to levitate” (2005).

And, although one of the first angels of Aristides Meneses died in 1981 in “An angel just died”, the guardian angels appear again as messengers or protectors in a number of his more recent paintings. Aristides Meneses explains that angels materialize themselves in a explosion of photons and disintegrate in a explosion of anti photons, but they keep their existence for all the other personages in his work.









Voltar ao princípio - Back to beginning

© Aristides Meneses Todos os direitos reservados All rights reserved