Aristides Meneses
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Desconstrução dodecaédrica revelando a inexistência de dentro ou fora
Dodecahedron desconstruction showing the non-existence of inside or outside
2009, Óleo s/Tela, 211 cm x 131 cm (12 painéis)

Esta obra foi realizada no âmbito do Projecto art&mente "Repensar Las Meninas" que consta de um ciclo de palestras filosóficas e uma exposição colectiva no Forum Municipal Romeu Correia em Almada de 18 de Setembro a 3 de Outubro de 2009.



Desconstrução dodecaédrica revelando a inexistência de dentro ou fora

Por Aristides Meneses

Como trabalho artístico repensar Las Meninas de Velasquez exigiu-me a utilização do método desconstrutivo estético-emocional natural na análise em arte mas em conjunção com o método ortogonal de segmentação, este por forma a permitir a máxima elegância na posterior reconstrução. Após inúmeras experiências tornou-se aparente que a segmentação principal devia ser vertical deixando à horizontal um papel muito marginal. Atingi assim uma estrutura em três painés verticais segmentando simultaneamente o contéudo da obra original e o resultado pictórico do repensamento.

O painel esquerdo contém o auto retrato do pintor e da sua enorme tela. Obviamente, Velasquez foi de imediato eliminado por irrelevante. Não Velasquez em particular, apenas porque é ele que consta da obra específica objecto do projecto, mas o artista, qualquer artista. Sendo por quase todos aceite que o artista tem o papel preponderante na criação da sua obra já não é tão simples a aceitação do facto que, instantânea e endocrónicamente, assim que o trabalho é dado por terminado o artista perde, ou deve perder, toda a relevância. Quando tal não acontece, a obra está, de facto, inacabada. A enorme tela de Velasquez foi também eliminada por completamente inútil, como acontece à parte de trás do suporte de qualquer pintura, do ponto de vista estético emocional. Após estas eliminações óbvias, o método reconstrutivo utilizado gerou então uma árvore, o concreto por excelência da criação continuada.

O painel direito contém os personagens secundários, todos naturalmente relegados para uma posição menor o que levou a que este painel tivesse menores dimensões. A partir de baixo a Anã, as Meninas e a Guardiã. Expressões e emoções algo alienadas ajustadas à sua qualidade de mero suporte na presença do suportado. Uma análise mais cuidada e muito mais próxima, com instrumentos de alta resolução, revelou que as suas fronteiras não são contínuas mas altamente porosas e dinâmicas. Aprofundando a análise por ampliação a nível atómico e sub-atómico, com as ferramentas matemáticas da física quântica, verifiquei que as dimensões dos espaços vazios são ordens de grandeza superiores às dimensões da matéria corpuscular revelada, evidenciando que as fronteiras percepcionadas são apenas ilusões mentais por habituação apoiadas numa ilusão de óptica permanente e como tal considerada real.

O painel central contém o retrato da princesa Margarida, quase quatrocentos anos depois transformada na princesa Sofia. Trata-se apenas de um retrato, provavelmente um subterfúgio de Velasquez para focar as atenções dos não iniciados, desviando-as do verdadeiro ponto focal da obra, a Porta e o seu significado filosófico, potencialmente considerado herege ou mesmo blasfemo na altura e contexto da sua produção. A porta, como qualquer porta, aparenta ser simultaneamente uma fronteira e uma ligação entre um interior e um exterior. Mas ambos, interior e exterior são assim, intermutáveis, portanto conceitos irreais, produto simplista de uma análise simplista e totalmente dependente da mera posição do observador. Mas como evidenciado pelo painel direito, a própria noção de fronteira é uma ilusão. Assim, a Porta quer como fronteira quer como canal de comunicação que naturalmente só existe se existir fronteira, não tem qualquer existência, trata-se de outra ilusão.

A reconstrução operada evidencia assim que o interior não existe, o exterior também não, o cosmo é holístico. Conhecimento milenar dos Hindus, tudo no cosmo está permanentemente interligado, suportado pelas teorias científicas do princípio do século vinte com a fisica quântica que começou por evidenciar a natureza não contínua da matéria e especialmente as propostas de Schrodinger que sempre terá afirmado que o seu gato não só está simultaneamente em toda a parte como tudo o que existe no cosmo está simultaneamente no espaço do seu gato.//
















































































































































































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